Série: Justiça 2
- Richard Günter

- 18 de jun de 2024
- 4 min de leitura
Crítica | ★★★★☆ | Uma explosão de emoções e moralidade. Manuela Dias e Gustavo Fernández criaram uma obra que desafia e provoca, convidando os espectadores a refletir sobre a natureza da justiça e a complexidade das escolhas humanas

Justiça 2, a aguardada continuação da série de sucesso do Globoplay, continua a explorar histórias entrelaçadas que mergulham nas complexidades da moralidade, justiça e vingança. A série se passa em Ceilândia, no Distrito Federal, e cada episódio foca em um personagem central que enfrenta dilemas morais intensos, desafiando as fronteiras do certo e do errado. As novas tramas refletem a realidade brutal e as nuances da justiça brasileira, mantendo a abordagem inovadora que marcou a primeira temporada.
Desta vez, a direção fica por conta de Gustavo Fernández, que traz uma nova visão e energia para a série. Fernández consegue capturar a tensão e a emoção das histórias de maneira visceral, utilizando uma abordagem visual que reforça o impacto das narrativas. Sua direção é marcada por uma sensibilidade que equilibra o drama intenso com momentos de introspecção, mantendo o público envolvido e pensativo.
O elenco é repleto de talentos que entregam performances marcantes. Entre os destaques está Belize Pombal, cuja atuação visceral como Geíza impressiona pela intensidade e profundidade emocional. Pombal traz uma autenticidade crua ao seu personagem, fazendo com que suas cenas sejam algumas das mais memoráveis da série.
A química entre Paolla Oliveira e Nanda Costa, que interpretam as amantes Jordana e Milena, é outro ponto alto. As duas atrizes conseguem transmitir de maneira convincente a complexidade e a intensidade do relacionamento de suas personagens envolto em mistério e suspense. A naturalidade e a profundidade emocional que elas trazem às suas interações tornam o vínculo entre Jordana e Milena cativante e genuinamente perverso.
Murilo Benício também merece destaque por sua interpretação de Jayme. Para compor fisicamente o personagem, Benício optou por usar uma prótese no nariz, um detalhe que contribui significativamente para a caracterização visual e psicológica de Jayme. Essa escolha mostra o comprometimento do ator com a verossimilhança e a profundidade de seu papel, resultando em uma performance que é ao mesmo tempo transformadora e crível.
Leandra Leal retorna na série com a única personagem presente também na primeira temporada, e sua interpretação continua a ser um dos pilares emocionais da série. Sua personagem é volátil e divertida, uma combinação que mantém o público constantemente alerta e intrigado. A crueldade que marcou sua presença na primeira temporada está intrínseca nesta nova fase, revelando camadas ainda mais profundas de complexidade e ambiguidade moral. A atriz entrega uma performance poderosa, capturando a essência multifacetada de sua personagem e proporcionando momentos tanto de leveza quanto de intensa carga dramática.
A fotografia de Justiça 2 é deslumbrante e cuidadosamente elaborada para complementar a narrativa densa da série. Com uma paleta de cores que oscila entre tons frios e quentes, a cinematografia reflete os estados emocionais dos personagens e as tensões subjacentes de suas histórias. A utilização de iluminação natural e planos sequenciais adiciona uma sensação de realismo e urgência, transportando o espectador para o coração dos conflitos. A estética visual é um elemento crucial que amplifica o impacto das cenas e reforça a atmosfera carregada da série.
A trilha sonora de Justiça 2, composta por Eduardo Queiroz, desempenha um papel fundamental na construção da atmosfera da série. As composições são sutis, mas poderosas, complementando perfeitamente as emoções e a tensão das cenas. A música é utilizada de maneira estratégica, muitas vezes sublinhando momentos chave com uma intensidade que amplifica o drama sem sobrecarregar a narrativa. A trilha sonora é uma extensão das emoções dos personagens, servindo como uma camada adicional de significado e profundidade.
Além das composições originais, Belchior ecoa na trilha entre sucessos da banda Barões da Pisadinha e gravações de Maria Bethânia e Chico Buarque. E a repetição da canção “Hallelujah”, de do cantor norte-americano Rufus Wainwright
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UMA AUTORA DE MÃOS CHEIAS
Manuela Dias, a mente brilhante por trás de "Justiça", continua a demonstrar seu talento excepcional na criação de narrativas complexas e emocionalmente ressonantes. Sua habilidade de tecer histórias que exploram as nuances do comportamento humano e as implicações da justiça é notável. Em "Justiça 2", Dias aprofunda ainda mais suas explorações temáticas, apresentando personagens multifacetados e situações que desafiam as percepções tradicionais de certo e errado. Seu trabalho é caracterizado por diálogos afiados e uma construção de mundo que é ao mesmo tempo crível e profundamente simbólica.
Inclusive, Manuela está a frente do roteiro do remake da novela Vale Tudo, prevista para ir ao em 2025 nas comemorações dos 60 anos da TV Globo.
Justiça 2 não apenas honra o legado da primeira temporada, mas também o expande de maneiras significativas. Com direção habilidosa, um elenco talentoso, fotografia impressionante e uma trilha sonora envolvente, a série se estabelece como uma continuação digna e poderosa. Manuela Dias e Gustavo Fernández criaram uma obra que desafia e provoca, convidando os espectadores a refletir sobre a natureza da justiça e a complexidade das escolhas humanas. A série é uma adição essencial ao catálogo do Globoplay, destacando-se como uma das produções mais impactantes da televisão brasileira recente.
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■ Por Richard Günter
Jornalista, pós-graduado em Roteiro Audiovisual e graduando de Cinema




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