Pedro Neschling relembra curta que dirigiu com Guilherme Karan
- 3 de abr.
- 3 min de leitura
“As Vozes da Verdade” reúne ainda Bruno Gagliasso, Raul Gazolla e Ludmila Dayer

Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Neschling
Em 2001, quando ainda tinha apenas 19 anos, o ator e diretor Pedro Neschling realizou um curta-metragem que hoje se tornou uma verdadeira raridade do audiovisual brasileiro. “As Vozes da Verdade”, thriller psicológico com elementos de terror, marcou uma fase inicial da carreira do artista e reuniu um elenco que, anos depois, se tornaria conhecido do grande público.
O filme ganhou nova atenção após o próprio Pedro Neschling relembrar a produção em uma publicação recente nas redes sociais, trazendo à tona um trabalho pouco visto, mas significativo, inclusive por contar com a participação do ator Guilherme Karan, em um registro raro de sua atuação no cinema.
Um thriller psicológico sobre trauma e memória
"As Vozes da Verdade" acompanha Lucas, um jovem que testemunhou o assassinato dos próprios pais, mas não consegue se lembrar do ocorrido. O trauma bloqueia suas memórias e o impede de compreender o que realmente aconteceu.
A situação começa a mudar quando ele passa a ser acompanhado pelo psiquiatra Edgar Lemos (Karan). Durante o tratamento, Lucas passa a ouvir vozes e ter visões que o levam a questionar sua própria sanidade e a verdade sobre o crime que marcou sua infância. A investigação psicológica se transforma, gradualmente, em um suspense sobre memória, culpa e realidade.
Elenco que reunia jovens promessas e nomes experientes
O curta contou com um elenco que hoje chama atenção pela reunião de nomes que se destacariam na televisão e no cinema brasileiro: Guilherme Karan, Bruno Gagliasso, Ludmila Dayer e Raul Gazolla.
A presença de Guilherme Karan é um dos grandes atrativos da obra. O ator, conhecido pelo humor e pela televisão, aparece aqui em um trabalho dramático pouco visto, tornando o curta uma oportunidade rara de rever sua atuação em um registro audiovisual menos conhecido.
O nascimento de um diretor

Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Neschling
Ao relembrar a produção, Pedro Neschling contou que o projeto surgiu após o ator Guilherme Karan assistir a um curta anterior realizado por ele ainda na faculdade. O incentivo foi decisivo para o jovem diretor.
"Era 2001, eu tinha 19 anos e queria dirigir cinema. Tinha lançado um curta que fiz na faculdade e o Guilherme Karan assistiu e me disse: 'Quero filmar com você'. Eu, abusado, escrevi um roteiro correndo e mandei pra ele. Chamava 'As Vozes da Verdade', um negócio meio thriller psicológico meio terror que me orgulha pra idade que eu tinha." (via: Instagram)
A declaração revela não apenas o entusiasmo de início de carreira, mas também a importância de Guilherme Karan na concretização do projeto.
Outro aspecto que reforça a relevância de "As Vozes da Verdade" é a presença de profissionais que mais tarde consolidariam carreiras importantes no cinema brasileiro. A direção de fotografia ficou a cargo de Dib Lutfi, nome respeitado da cinematografia nacional, conhecido por sua colaboração com cineastas como Eduardo Coutinho e por sua sensibilidade em construir atmosferas intimistas e realistas.
Já Felipe Barbosa, que também colaborou com o curta, viria posteriormente a se destacar como diretor e roteirista, assinando longas como Casa Grande e Gabriel e a Montanha, ambos reconhecidos em festivais internacionais. A participação desses profissionais reforça o caráter quase histórico do curta, que reuniu jovens talentos e nomes experientes em um projeto que, duas décadas depois, ganha ainda mais valor como registro de formação artística coletiva.
Uma raridade do início dos anos 2000
Produzido no início dos anos 2000, o curta integra a fase inicial da trajetória de Pedro Neschling, que posteriormente se consolidaria como ator, roteirista e diretor em cinema, televisão e teatro. "As Vozes da Verdade" surge nesse contexto como um registro de formação artística e experimentação narrativa.
A obra também tem valor histórico por reunir jovens atores que, anos depois, conquistariam projeção nacional, além de oferecer um raro registro dramático de Guilherme Karan.
Mais de duas décadas depois, "As Vozes da Verdade" permanece como uma peça curiosa e pouco conhecida do audiovisual brasileiro, mas que ganha novo significado ao ser revisitada. Um curta que revela o entusiasmo de um jovem diretor, a colaboração entre artistas e, sobretudo, um encontro improvável que se transformou em cinema.
Assista aqui:
■ Por Richard Günter
Jornalista e Cineasta pós-graduado em Roteiro Audiovisual



Comentários