As memórias de uma eterna Rainha

| Opinião ★★★★☆

Xuxa lança autobiografia e diz “Vamos apertar o botãozinho do fod*-se e vamos viver”

As primeiras páginas são pesadas. Elas revelam muito mais do que Xuxa já havia manifestado naquele fatídico episódio do quadro “O que vi da vida” no Fantástico. O estômago fica petrificado. É impossível não se sensibilizar com os relatos, principalmente porque nós somos rodeados por crianças, que talvez estejam passando por algo parecido e que também não tenham coragem dizer ou pedir ajuda de alguém.

Após esses episódios da infância, há uma quebra da narrativa que nos leva a mergulhar nas peripécias da mulher que se tornou a Rainha dos baixinhos. Como Maria da Graça Meneghel chegou a este status na metade dos anos 1980? De fato, é emocionante acompanhar essa trajetória, da qual devorei as 272 páginas em 2 dias.

A autobiografia, da qual alcançou a marca de 100 mil cópias vendidas um dia após seu lançamento pela editora Globo, nos mostra uma Xuxa humana, mas também endeusada por todos nós, fãs. Na escrita, fica evidente que, lá no início despretensiosamente, a apresentadora conseguiu se destacar nos holofotes por ter um belo rosto, mas também ratifica nas entrelinhas que ela só permaneceu porque tinha carisma, talento e caráter.

As memórias de Xuxa nos revelam um bastidor amargo, imprevisível, desumano. Os testes do sofá para entrar na televisão são reais, “a menor” nos revelou. Alguns artistas de potência máxima na mídia aproveitam seu espaço para tentar comprar as outras, “who’s bad?”. Até ex-presidente do país tem seu jeitinho “mimoso” de oferecer grana para sexo. Bem, essa parte nunca saberemos a verdadeira face.

Para quem esperava revelações sobre o Pelé e Luciano Szafir, têm também.

Mas as memórias também revelam histórias com muito amor, amizade, fé, humanidade, música e poesia, que envolvem dona Alda, Sasha, Ayrton Senna, Luiza Brunet, Junno, seus bichos e o veganismo!

Outro ponto positivo para o livro é que em duas partes temos blocos de fotografias selecionadas pela própria Xuxa. Alguns registros nunca tínhamos visto antes.

Como fã, senti falta do backstage dos seus melhores momentos que acompanhamos junto do outro lado da telinha. Queria saber como foram as gravações dos álbuns, dos filmes, dos seus shows em que chegava de helicóptero, da sua saída da Globo para a Record. Senti falta também da história do duende em sua cama e sua relação profissional com Marlene Mattos. Por outro lado, conseguimos compreender assuntos como o pacto com o diabo, o fogo no Xuxa Parque, sua relação com seu pai Meneghel e a importância que a TV Manchete teve em sua vida.


Vale ressaltar que a autora doará todos os royalties deste livro para a Aldeia Nissi e santuários de animais resgatados de maus-tratos.


Um dos conselhos citados por Xuxa que, certamente, vou levar comigo daqui pra frente é:

Quer ser feliz? Vamos apertar o botãozinho do foda-se e vamos viver!

É isso! ♥


Sem dúvida é uma grande obra para os fãs que ainda permanecem sendo o baixinho da Rainha Xuxa.

■ Por Richard Günter

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